Os padres residentes do Pontifício Colégio Pio Brasileiro participaram, na manhã de domingo, 14 de junho, de um retiro espiritual conduzido pelo diretor espiritual da instituição, Dom Armando Bucciol. Os pontos de reflexão foram fundamentados na Carta Encíclica Dilexit nos, do Papa Francisco, com foco na dimensão teológica, social e missionária do Sagrado Coração de Jesus.
Durante o encontro, Dom Armando expôs a estrutura da encíclica papal e concentrou as meditações no último capítulo do documento, intitulado “Amor por amor”. O diretor espiritual abordou a correspondência humana ao amor divino, tratando da ingratidão e da indiferença que muitas vezes respondem a esse mistério. Ele lembrou que o próprio Jesus manifestou a sede de ser amado e que seu Coração não é indiferente às reações humanas.
Dom Armando pontuou que o amor direcionado aos irmãos exige uma mudança profunda na postura individual. “O amor para com os irmãos não se fabrica, não é fruto do nosso esforço natural, mas exige uma transformação do nosso coração egoísta” , ponderou, exortando a comunidade a ter entre si os mesmos sentimentos que estão em Cristo Jesus. A reflexão destacou que a espiritualidade ligada ao Coração de Cristo direciona o indivíduo para a atuação comunitária, o serviço e a atenção às necessidades do próximo, citando exemplos históricos de santos como São Bernardo, São Francisco de Sales, São Vicente de Paulo e São Charles de Foucauld. Foi recordado o lema de Charles de Foucauld, Iesus Caritas, e seu esforço para viver como irmão universal, abraçando todos os seres humanos.
Outro eixo tratado no retiro foi o conceito cristão de reparação. Baseado nos ensinamentos de São João Paulo II, Dom Armando destacou que a verdadeira reparação consiste em unir o amor filial a Deus ao amor ao próximo, construindo a civilização do amor sobre as ruínas do ódio e da violência.
O orientador também pontuou a dimensão social do pecado, que consolida estruturas de exclusão, e indicou que a conversão impõe a obrigação de reparar tais realidades. “A reparação entende-se como o remover dos obstáculos que colocamos à expansão do amor de Cristo no mundo, com as nossas faltas de confiança, gratidão e entrega”, explicou Dom Armando, recorrendo às orientações da encíclica.
O diretor espiritual evidenciou as diretrizes do Papa Francisco sobre a indissociabilidade entre a experiência religiosa interna e os desdobramentos fraternos, apontando que a amizade com Cristo gera o compromisso com a atividade missionária e com o serviço comunitário. O ardor pastoral foi definido não como uma obrigação, mas como uma necessidade do coração enamorado por Deus.
O retiro estendeu-se ao longo da manhã e foi encerrado com a celebração da Santa Missa na Capela Três Mártires.








