Presidência da CNBB se reúne com os padres do Colégio Pio Brasileiro

A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realizou, nesta quarta-feira, dia 21, um encontro com a comunidade do Pontifício Colégio Pio Brasileiro, em Roma. A reunião, que marca a prestação de contas anual do Colégio e a reflexão da caminhada pastoral da Igreja no Brasil, trouxe ainda discussões profundas sobre o equilíbrio entre o rigor acadêmico e a vida espiritual, a busca pela viabilização do projeto de reforma do Colégio, as novas diretrizes para a evangelização no Brasil e a importância da formação permanente do clero.

A reunião foi aberta com o balanço financeiro do ano acadêmico 2024-2025 feito pelo reitor e ecônomo do Colégio, Pe. Valdir Cândido, celebrando um superávit nas contas da instituição. O resultado positivo foi garantido pelo aumento nas receitas de hospedagem e pela fidelidade das dioceses brasileiras ao projeto Comunhão e Partilha.

A reunião contou com intervenções dos quatro bispos da presidência, cada um abordando eixos fundamentais para a vida da Igreja. Abrindo as reflexões, o cardeal Dom Jaime Spengler, presidente da CNBB, destacou o reconhecimento pelo esforço de cada padre estudante, mas recordou a finalidade última dessa dedicação. Ele foi enfático ao afirmar que o estudo e o trabalho desenvolvidos em Roma não são um projeto de realização pessoal: “Não é um trabalho para nós, é para os nossos fiéis, para as nossas comunidades, para os pobres. Isso revela a dignidade daquilo que desenvolvemos”, afirmou Dom Jaime.

O cardeal alertou que a vida espiritual não pode ser confundida com meros alívios religiosos, sob o risco de o acadêmico gerar uma “secura” que esvazia o ministério. “Depois de Deus, o maior dom são os irmãos”, completou, incentivando à cooperação e à vida litúrgica da casa contra a tendência de isolamento.

A presidência compartilhou ainda, as reflexões do Consistório, encontro dos cardeais com o Papa Leão XIV, ocorrida no início deste mês, onde temas como a Evangelii Gaudium e a Sinodalidade foram priorizados por sua atualidade própria. Sobre o caminho da Igreja, a mensagem foi clara: “Rio não corre para trás”, reforçando uma compreensão de tradição que não se confunde com o tradicionalismo.

O segundo vice-presidente da CNBB, Dom Paulo Jackson, arcebispo de Olinda e Recife, detalhou o esforço da presidência para garantir a estabilidade do Colégio. Ele ressaltou o trabalho de convencimento junto ao episcopado brasileiro para que parte do Fundo Comunhão e Partilha seja destinado especificamente à formação permanente. Segundo Dom Paulo, o Colégio não é apenas uma residência, mas uma “casa de formação permanente”. Ele listou as seis fontes vitais de manutenção: bolsas externas (que vêm diminuindo), o projeto Comunhão e Partilha, as mensalidades das dioceses, hospedagens, a Pontifícia Comissão para a América Latina e o Santuário Nacional de Aparecida.

Dom Ricardo Hoepers, secretário da CNBB, fez uma radiografia da Igreja no Brasil. Em uma atualização estatística, Dom Ricardo informou que o Brasil conta hoje com 281 circunscrições eclesiásticas e 496 bispos. Ele destacou a vitalidade da Igreja com a criação de novas dioceses previstas para este ano, apesar dos desafios impostos pela polarização sociopolítica e dos desafios estruturais da Conferência. Além disso, os bispos partilharam sobre o crescimento e a importância das campanhas realizadas pela CNBB, como a Campanha da Fraternidade, gerando o Fundo Nacional de Solidariedade e assim, colaborando com projetos sociais em todo o País. Dom Ricardo incentivou os padres a serem promotores do Fundo Diocesano de Solidariedade em suas bases.

O Monsenhor Jamil, responsável pelas Edições CNBB, apresentou os resultados de expansão das Edições CNBB, que hoje conta com 116 colaboradores diretos e repassou recursos para a manutenção da sede da Conferência.

Um dos momentos mais marcantes da reunião foi a intervenção do diretor espiritual do Colégio, Dom Armando Bucciol, que trouxe uma reflexão crítica sobre a formação seminarística e presbiteral. Com base em sua experiência como reitor e bispo, ele alertou que a dimensão intelectual, embora fundamental, muitas vezes acaba deixando “de escanteio” a formação humana e a espiritualidade. Para o bispo, o estudo deve ser um alimento, e não um isolamento que afasta o presbítero da experiência com o Cristo e com os irmãos.

Por fim, o arcebispo de Goiânia e primeiro vice-presidente da CNBB, Dom João Justino, encerrou as comunicações tratando da revisão do Documento 110 (Diretrizes Nacionais da Formação Presbiteral). Ele pediu a colaboração dos padres do Colégio, especialmente na parte que tange à formação continuada, aguardando as novas luzes da Santa Sé sobre a Ratio Fundamentalis.

O encontro encerrou-se com a expectativa da visita do Papa Leão XIV ao Colégio, sugerida para a primeira quinzena de maio. Nesta segunda-feira, dia 26 de janeiro, a Presidência da CNBB será recebida pelo Santo Padre no Vaticano.