Presidência da CNBB encerra visitas a Roma com missa no Pio Brasileiro

Com uma celebração eucarística no Pontifício Colégio Pio Brasileiro, nesta quinta-feira, dia 29 de janeiro, a Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) concluiu a etapa das visitas ao Santo Padre e aos Dicastérios da Cúria Romana. A Santa Missa foi presidida pelo Cardeal Dom Jaime Spengler, presidente da CNBB.

Em tom de gratidão e comunhão, o Cardeal ressaltou que a presença da Presidência em Roma ocorre em nome do Conselho Permanente e de todos os 497 bispos que compõem a Conferência. “Estamos aqui em nome da Igreja; ao nosso retorno, compartilharemos com o episcopado brasileiro aquilo que viemos trazer e ouvir”, afirmou.

Durante a homilia, Dom Jaime recordou o papel da Cúria Romana, enfatizando que ela está a serviço do Santo Padre e de cada um dos bispos em sua realidade local. “A Cúria não está acima dos bispos, ela está a serviço dos bispos”, pontuou o Cardeal, reforçando a natureza da colaboração entre Roma e as dioceses.

O Cardeal expressou um agradecimento especial pela acolhida no Colégio. Dirigiu-se à direção do Pio Brasileiro, mencionando nominalmente o reitor, Pe. Valdir Cândido, o Padre Antonio Depizzoli e Dom Armando Bucciol, e estendeu o reconhecimento a todos os colaboradores da instituição.

Dom Jaime também destacou a harmonia e a “sintonia bonita” entre os membros da presidência: Dom João Justino, Dom Paulo Jackson e Dom Ricardo Hoepers. Além disso, dirigiu palavras de gratidão às Edições CNBB e ao Padre Megeto, elogiando sua dedicação na preparação da visita e seu trabalho em torno da COP 30.

Inspirado pelo Evangelho do dia, o Cardeal refletiu sobre a identidade e a missão sacerdotal: “Eu gosto de dizer: nós não temos a fé; é a fé que nos tem. Nós participamos da fé da Igreja e dos apóstolos”. O Cardeal alertou contra a duplicidade de vida, enfatizando que o ministério não pode ser separado da vida pessoal.

“Em nosso ministério se faz sendo necessário cultivar também a vigilância. Sim, a vigilância para não cairmos em duplicidades, ambiguidades ou numa espécie de esquizofrenia espiritual. Não se pode jamais separar o exercício do ministério da nossa vida pessoal. Somos homens consagrados, homens da luz em todas as circunstâncias, em todos os momentos do cotidiano.” Por fim, recordou que nenhum sacerdote caminha sozinho. “A Igreja não precisa de nós; somos nós que precisamos da Igreja. Caminhamos em sintonia com nossos presbitérios, com nossos bispos e atentos ao sucessor do apóstolo Pedro.”

Ao final da celebração, o segundo vice-presidente da CNBB, Dom Paulo Jackson, dirigiu palavras de encorajamento e balanço pastoral à comunidade. Partindo da raiz bíblica da palavra “sínodo”, a caravana de peregrinos de Lucas 2,44, Dom Paulo definiu os doze dias de visita como um verdadeiro exercício de corresponsabilidade e escuta.

Dom Paulo relatou que a passagem pelos Dicastérios foi marcada por uma abertura mútua: “Nos escutaram muito, queriam muito aprender, entender como vive a Igreja no Brasil”. Segundo ele, o “ponto fulcral” da missão foi o debate sobre a transmissão da fé em meio à virada epocal, focando nos desafios da evangelização da juventude e na busca por novas formas de pertença eclesial.

“Saímos daqui muito felizes de vermos essa comunhão bonita entre a Igreja Universal e a Igreja no Brasil, animados, revigorados e com alegria para transmitir essa mensagem aos nossos irmãos”, afirmou.

Dom Jaime encerrou a celebração com um chamado à coragem: “Vocês têm um papel muito importante já agora, e também para o futuro da Igreja no Brasil. Continuemos nessa marcha bonita”.