Em um gesto de união entre os valores cívicos e a fé, a Embaixada do Brasil junto à Santa Sé promoveu, nesta sexta-feira, 14 de novembro, uma Santa Missa, por ocasião do aniversário da Proclamação da República. Realizada no Colégio Pio Brasileiro, a cerimônia, que reuniu o corpo diplomático do Brasil no Vaticano, constituiu um momento de reflexão para a comunidade brasileira em Roma, destacando a importância do diálogo, da justiça social e da fraternidade.
Diretor espiritual do Colégio, Dom Armando Bucciol estabeleceu, em sua homilia, uma ponte entre a fé e a responsabilidade social no contexto da data cívica. O bispo iniciou pedindo por um Brasil onde cresça o diálogo entre as diferentes expressões sociais e a busca pelo bem comum. Ele ressaltou que a República, embora seja uma “expressão de busca de maior participação democrática”, não está isenta de ambiguidades, mas deve ser marcada pelos valores cristãos.
“Pedimos que cresça o diálogo entre as diferentes expressões sociais, que cresça a procura do bem comum, a superação de todo o antagonismo e polarização, e que a vida social seja marcada pelos valores da unidade e solidariedade, da justiça e da paz”, ressaltou.
Refletindo sobre a Palavra de Deus, o bispo alertou contra tudo aquilo que pode ofuscar a percepção de Deus em nossa vida e na sociedade, como “preconceitos, arrogância, feridas antigas, ideologias, autossuficiência e a procura dos bens materiais”. A homilia concluiu com um chamado à fidelidade no seguimento de Jesus, citando o convite do Papa Francisco para que todos sejamos santos, vivendo o momento presente com amor e realizando “ações ordinárias de maneira extraordinária”.
Ao final da celebração, o embaixador Everton Vieira Vargas, chefe da Missão do Brasil junto à Santa Sé, fez um discurso relacionando os ideais da República aos ensinamentos do Papa Francisco, ressaltando que ele marcou profundamente o povo brasileiro com sua força de solidariedade e seu testemunho contra a desigualdade. O embaixador enfatizou a visão de Francisco para a Igreja: “Ele nos ensinou que a Igreja deve ser, antes de tudo, um hospital de campanha, onde cada pessoa, sem exceção, encontre acolhimento e esperança.”
O diplomata também sublinhou a atenção de Francisco aos mais vulneráveis: os pobres, os esquecidos, os descartados; e seu apelo por uma ecologia integral (como na encíclica Laudato Si’), que une o cuidado com a Terra e o cuidado com os pobres. Dirigindo-se à comunidade diplomática presente, o embaixador recordou o apelo do Papa, feito em janeiro deste ano, para que a diplomacia seja mais do que “técnica ou cálculo”, transformando-se em um “instrumento de paz” e em “construtora de pontes”.
Por fim, o embaixador Vargas celebrou a relação Brasil–Santa Sé, recordando o bicentenário (200 anos) do estabelecimento da representação diplomática brasileira junto à Santa Sé, a ser celebrado em 2026. Ele expressou o desejo de que essa celebração renove o compromisso de união e serviço ao bem comum, à justiça e à paz.
O reitor do Colégio Pio Brasileiro, Pe. Valdir Cândido, destacou que o Colégio está com suas “portas sempre abertas para momentos como este, que fortalecem a união e o bem de Estado”. O reitor encerrou sua acolhida ressaltando o compromisso com a esperança e com os valores que guiam a nação e a Igreja.








