Entre os dias 31 de outubro e 1º de novembro, o Pe. Antonio Marcos Depizzoli, diretor de estudos do Colégio Pio Brasileiro, participou de uma peregrinação no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, na França, que reuniu cerca de 300 fiéis cabo-verdianos. Na ocasião, o sacerdote esteve presente para apresentar, ao lado do autor, o livro “Pensar Deus e o homem depois do evento Auschwitz: uma aproximação filosófica ao problema do mal em Hans Jonas”, publicado pela Editora Paulinas de Portugal.
A obra é de autoria do Pe. José Cabral, presbítero da Diocese de Santiago de Cabo Verde, e fruto de sua dissertação de mestrado em Filosofia defendida na Pontifícia Universidade Gregoriana, período em que residiu no Colégio Pio Brasileiro, em Roma. O lançamento ocorreu no sábado, 31 de outubro, na Sala João XXIII do Santuário.
Em sua intervenção, o Pe. Antonio Depizzoli propôs uma reflexão sobre a questão central que move a obra: “Por que razão somos convocados a abrir o livro da história e a pensar Deus e o Homem depois do ‘evento Auschwitz’?”. O apresentador sublinhou a distinção feita pelo autor de que a reflexão contemporânea não deve focar em tragédias de causalidade natural, como o terremoto de Lisboa, mas sim no mal gerado pelo livre-arbítrio e pela vontade humana, simbolizado por Auschwitz.
A obra está organizada em três capítulos. No primeiro, intitulado “O conceito de Deus depois de Auschwitz”: uma introdução ao problema do mal em Hans Jonas”, aborda-se a ousada intuição de que Deus, ao conceder a liberdade ao homem, abdicou da intervenção física, confiando o destino da criação às mãos da responsabilidade humana. Na sequência, o capítulo dois “Auschwitz e não Lisboa”: a centralidade da questão antropológico-moral na leitura do evento “Auschwitz” estabelece um diálogo com pensadores como Rousseau, Descartes, Kant e Hannah Arendt para demonstrar que o mal extremo não é praticado por monstros extraordinários, mas sim por homens comuns que abdicam da capacidade de pensar e obedecem cegamente a ordens perversas. Por fim, no terceiro capítulo, “O Mal no horizonte da esperança”, a obra atinge sua maturidade ao dialogar com Paul Ricoeur, Adolphe Gesché e Luigi Pareyson, recordando que o mal não tem a palavra final. Pe. Antonio citou Pareyson para destacar que, diante do sofrimento humano, “Deus não se cala por ausência ou impotência, Deus cala-se para chorar e para sofrer ao lado do homem”, vencendo o mal a partir de dentro através da Cruz e da Ressurreição.
Ao encerrar a exposição, o Pe. Antonio Depizzoli reforçou a atualidade do texto diante do cenário contemporâneo de “terceira guerra mundial aos pedaços”, expressão utilizada pelo Papa Francisco, convocando a todos a passarem da resignação para uma ética do cuidado e da responsabilidade. Citando figuras como Etty Hillesum, Edith Stein e Pe. Maximiliano Kolbe, destacou que o primeiro sinal de civilização humana é o gesto de parar e curar as feridas do outro, construindo uma verdadeira civilização do amor.
O autor, Pe. José Cabral, manifestou profunda gratidão à comunidade do Pontifício Colégio Pio Brasileiro, recordado com carinho que a obra nasceu, foi pesquisada e amadureceu no ambiente fraterno e orante desta casa em Roma, onde encontrou o suporte intelectual e espiritual necessário para a sua elaboração.
Para além do ato acadêmico, a presença na peregrinação esteve imbuída de um denso clima de oração. Durante todos os momentos fortes da programação cabo-verdiana em Lourdes nas celebrações eucarísticas, no santo terço e na via-sacra, as intenções do Pontifício Colégio Pio Brasileiro e de cada um dos sacerdotes que nele residem foram expressamente confiadas à intercessão da Virgem Maria e de Santa Bernadete.
Por Pe. Paulo Henrique Teles de Almeida
Diocese de Anápolis – GO










