O Pontifício Colégio Pio Brasileiro sediou, no dia 03 de dezembro, em seu Salão de Atos, uma conferência com o tema “1700 Anos de Nicéia, 60 Anos de Vaticano II: Perspectiva Histórico-Teológica entre os Concílios”. O evento, que integrou o Quintal Cultural da instituição, reuniu a comunidade acadêmica para um aprofundamento nos contextos, documentos e na correta interpretação dos dois pilares da história eclesiástica.
A conferência foi ministrada por dois notáveis sacerdotes brasileiros que atuam na Cúria Romana: Pe Antônio Hoffmeister e Pe Bruno Bastos Lins.
O Padre Antônio Hoffmeister abriu o evento, detalhando a cronologia e o ambiente do Concílio Vaticano II. Ele traçou o cenário do pós-Segunda Guerra Mundial, a crise de valores e o chamado de João XXIII em 1959.
Em sua apresentação, Pe. Hoffmeister destacou a importância de distinguir o que realmente foi ensinado pelo Concílio, focando na Hermenêutica da Continuidade. “A chave para entender o Vaticano II reside na leitura dos documentos em sua integralidade,” afirmou. “Devemos rejeitar a ‘Hermenêutica da Ruptura’ frequentemente promovida pela imprensa da época e abraçar a ‘Hermenêutica da Continuidade’, que insere o Concílio no fluxo vivo da Tradição bimilenar da Igreja.”
Nicéia e Vaticano II: O Desenvolvimento Orgânico da Fé
Em um exercício de perspectiva histórica, Pe. Bruno Bastos Lins traçou um paralelo entre o Concílio de Nicéia (325) e o Vaticano II (1962-1965). O sacerdote comparou os contextos – o apoio imperial e a emergência do Arianismo em Nicéia, a Guerra Fria e o avanço do ateísmo estatal no Vaticano II.
O conferencista sublinhou que ambos os eventos, apesar da distância temporal, compartilham a dinâmica de recepção conturbada. “Nicéia (325) enfrentou o arianismo, e o Vaticano II buscou um aggiornamento frente aos desafios modernos,” pontuou Pe. Bruno Bastos. “Ambos os Concílios tiveram recepções complexas, mas o desenvolvimento orgânico do dogma nos ensina que a verdade floresce com o tempo, superando más interpretações e amarras ideológicas.”
Após as exposições, foram feitas perguntas acerca das interpretações equivocadas – como as mudanças litúrgicas ou pastorais atribuídas ao “espírito do Concílio” sem base nos documentos.
A conclusão unânime dos conferencistas reforçou a necessidade de estudar os Concílios para prevenir rupturas e viver o amadurecimento da fé, injetando a mentalidade sinodal e o cuidado com a linguagem nos órgãos eclesiais.
Por fim, o Pe Antonio Depizzoli, Diretor de estudos do Pio Brasileiro, anunciou a continuidade do compromisso formativo com um ciclo de quatro encontros mensais (de fevereiro a maio) sobre a proteção de menores e a reforma do direito canônico, contando com a participação de nomes como A. Cencini e Anna Deodato.





